Keynotes Speakers
Ecossistemas de Software: Passado, Presente e Futuro
Por duas décadas, as organizações têm avançado na engenharia e gerenciamento de uma estrutura social (e.g., interação entre atores e artefatos), técnica (e.g., ferramentas e tecnologias) e de negócios (e.g., redes de produção de software) integrada em plataformas tecnológicas comuns que formam os chamados ecossistemas de software (ECOS). Uma das preocupações consiste na modelagem e análise desses ecossistemas, que buscam identificar, descrever e avaliar aspectos da qualidade de plataformas e de suas extensões, de forma sistêmica, a fim de apoiar a tomada de decisão de gestores e arquitetos de TI das organizações. Neste contexto, o objetivo desta palestra é discutir o passado, o presente e o futuro da pesquisa em ECOS e de suas aplicações a partir de fatores relevantes para a qualidade de software na indústria.
Rodrigo Santos é Professor Adjunto IV da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), atuando junto ao Programa de Pós-Graduação em Informática (PPGI), tendo sido coordenador em 2019-2020. Lidera o Grupo de Pesquisa em Engenharia de Sistemas Complexos da UNIRIO (LabESC), é Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq Nível 2 e Jovem Cientista do Nosso Estado FAPERJ. Doutor e Mestre em Engenharia de Sistemas e Computação pela COPPE/UFRJ, onde realizou também o seu Pós-doutorado (CNPq) e Bacharel em Ciência da Computação pela UFLA, atuou como pesquisador visitante na University College London (BEX/CAPES). Atuou ainda como consultor em projetos de pesquisa e desenvolvimento em engenharia de sistemas na indústria nacional pela Fundação Coppetec (2008-2017). Atua na organização e em comitês de conferências, além de ser editor e revisor de periódicos das áreas de Engenharia de Software e Sistemas de Informação, com premiações de revisor de destaque e orientador de trabalhos de pós-graduação e graduação reconhecidos. Como associado à SBC desde 2008, é/foi membro/coordenador da CESI, CEES, CEJOGOS e GIEC. Seus principais campos de atuação são Engenharia de Sistemas Complexos (ecossistemas de software e sistemas-de-sistemas), Aspectos Humanos e Sociais no Processo de Desenvolvimento de Software, Negócios em Software, Educação e Treinamento em Engenharia de Software, Engenharia de Requisitos e Métodos de Pesquisa em Engenharia de Software e Sistemas de Informação. Recebeu 2024 ToG IEEE Transactions on Games Paper Award (Honorable Mention). Perfil científico e redes sociais: https://orcid.org/0000-0003-4749-2551.
Diversidade Cognitiva no Desenvolvimento de Software: Repensando a Qualidade de Processos e de Produtos
Quando falamos de qualidade de software, é comum pensarmos em coletar métricas, realizar testes e melhorar processos. Raramente pensamos na diversidade cognitiva das pessoas que executam e interagem com essas atividades. Estima-se que 20% da população mundial seja neurodivergente e que aproximadamente 15% dos profissionais da área de TI relatem diagnóstico ou se identifiquem com características de uma neurodivergência. Processos de desenvolvimento de software que removam barreiras para a participação efetiva desses indivíduos podem beneficiar a todos de uma organização e talvez permita que os talentos desses profissionais melhor contribuam para a qualidade dos produtos desenvolvidos por equipes de software. Nesta palestra vou ilustrar, por exemplo, como a execução de testes e interpretação dos seus resultados exigem intensamente foco, memória de trabalho e esforço sustentado, funções executivas que podem ser vulneráveis no TDAH, e como os processos para realizar atividades como essas precisam ser repensados em um mundo onde a inclusão já não é um diferencial, é uma qualidade esperada. Da mesma forma, vou apresentar estudos que mostram que desenvolvedores neurodivergentes relatam maior engajamento em atividades investigativas, como a depuração de um código, e que esses perfis cognitivos distintos podem percebem padrões, inconsistências e falhas em produtos de software que outros deixam passar. Assim, vou argumentar que a inclusão da diversidade cognitiva passa a ser um atributo de qualidade necessário e convidar a todos a repensar a qualidade de nossos processos de desenvolvimento e como podemos melhorar a qualidade de produtos de software considerando estes perfis.
Sabrina Marczak é Professora Adjunta na PUCRS, atuando junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação. É Bolsista de Produtividade Nível C. Possui Doutorado em Ciência da Computação pela University of Victoria, Canadá. Coordenou a parceria de pesquisa Dell-PUCRS de 2013 a 2025 e atua desde março de 2026 como pesquisadora do Instituto Nacional Ciência e Tecnologia em Inteligência Artificial e Sustentabilidade (INCT-IAS), com sede na PUCRS. Junto a seus alunos e colaboradores do grupo de pesquisa MunDDoS, o qual é co-coordenadora, investiga como melhorar o desenvolvimento de software e aspectos relacionados ao ensino da Engenharia de Software para melhor educar e formar os profissionais da área. Sua atuação mais recente estão nos projetos sobre requisitos de acessibilidade, neurodivergência no desenvolvimento de software e como princípios éticos impactam a concepção de software na era da IA. Sabrina vem publicando artigos e colaborando extensivamente com empresas de software na busca da resolução de problemas práticos na área.